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MATA ATLÂNTICA

         

 

A Mata Atlântica é o ecossistema com maior biodiversidade do nosso planeta?

 

Durante 500 anos a Mata Atlântica propiciou lucro fácil ao homem. Madeiras, orquídeas, corantes, papagaios, ouro e muito mais serviram ao enriquecimento de alguns, além das próprias queimadas que deram lugar a uma agricultura imprudente e insustentável. A Mata Atlântica é o ecossistema brasileiro que mais sofreu os impactos ambientais dos ciclos econômicos da história do país.


A extração predatória do pau-brasil; O ciclo da cana-de-açúcar; As jazidas de ouro; A  implantação de agricultura e pecuária; A Lavoura cacaueira no sul da Bahia, que ainda salvou muitas espécies de árvores nativas, porém o sistema de Cabruca retirava as árvores menores e deixava as maiores, haja-visto que  o cacau necessitava de sombra para produzir; O café teve um impacto considerável, provocando a marcha ao sul do Brasil, e então chegou a vez da extração da madeira. Esse processo desorientado de desenvolvimento ameaçou inúmeras espécies, algumas quase extintas como o mico-leão-de-cara-dourada, a onça pintada e a jaguatirica. Foram extirpadas árvores  nobres, entre elas o Pau-Brasil, o Jacarandá e o Cedro pra não citar outras tantas. A Mata Atlântica de Itacaré tem o maior nível de biodiversidade do planeta, são 456 espécies por hectare. (Reserva da Biosfera da Mata Atlântica - UNESCO)

 
Mas o que vem a ser biodiversidade?

Biodiversidade é a variedade de seres vivos num determinado ecossistema, como plantas, animais, fungos e toda a variedade genética contida em cada ser. Na Mata Atlântica circula uma fauna rica e bela, onde encontramos cerca de 326 espécies diferentes de aves e 131 espécies de mamíferos, sendo que 38% destas aves e 23% destes mamíferos, são espécies endêmicas, isto é, ocorrem somente neste ambiente e em nenhum outro local do planeta. Estima-se que também existam um total de 10 mil espécies de vegetais.

 

A vegetação da Mata Atlântica é conhecida principalmente por sua exuberância e diversidade, é uma das mais ricas do planeta. São mais de 450 espécies de árvores, sem falar nas plantas não arbóreas, como as trepadeiras, ervas e gramíneas.

 

Os pouquíssimos remanescentes merecem ser totalmente protegidos, para continuar a surpreender a todo o momento pela beleza e pela biodiversidade não encontradas em nenhum outro local.

A floresta pode ser dividida em extratos. O extrato superior é chamado de dossel (20-30m), que é composto pelas árvores mais altas, adultas, que recebem toda a intensidade da luz solar que chega na superfície do planeta.  As copas destas árvores formam um verdadeiro mosaico, devido à diversidade de espécies. Aqui estão jacarandás, cedros, pau-brasil, ipês, gindiba, entre muitas outras. As árvores do interior da mata fazem parte do extrato arbustivo, formado por espécies arbóreas que vivem toda a sua vida sombreada pelas árvores do dossel. Entre elas estão as jabuticabeiras, a Jussara e as begônias, por exemplo. O extrato herbáceo é formado por plantas de pequeno porte que vive próxima ao solo, como é o caso de arbustos, ervas, gramíneas, musgos e plantas jovens que irão compor os outros extratos quando atingirem a fase adulta.

Aqui como o índice pluviométrico é maior, torna o ambiente muito úmido e favorece a existência de briófitas (musgos) e pteridófitos (samambaias). Entretanto, para outras plantas, o excesso de umidade pode ser prejudicial e suas folhas, muitas vezes, apresentam adaptação para não reterem água, sendo inclinadas, pontiagudas, cerificadas e sulcadas, facilitando o escoamento da água, evitando o acúmulo, que poderia causar apodrecimento dos tecidos.

Existem plantas que crescem sobre outras, utilizando troncos e folhas como substrato de fixação: as epífitas (epi= sobre / fito= planta) e as lianas. As primeiras são as bromélias, orquídeas, cactáceas, entre outras, que não retiram seus nutrientes do solo. As lianas, são as trepadeiras, que se fixam no solo mas utilizam outras plantas para apoiarem-se na tentativa de alcançar o dossel. Muitas destas plantas tiveram que adaptar-se a períodos de seca, pois contam apenas com as chuvas e a umidade do ar para obtenção de água, já que não estão ligadas ao solo. Estas adaptações dizem respeito ao armazenamento de água em suas folhas ou, como no caso das bromélias, a formação de um reservatório de água no centro da planta, que também serve de  moradia e local para alimentação e reprodução de muitos animais. As plantas epífitas e lianas não são necessariamente parasitas, muitas utilizam a planta hospedeira somente para fixação e apoio, não sendo prejudicial.

No chão da floresta, misturados a serrapilheira, vivem inúmeras espécies de fungos, como os cogumelos basidiomicetos (ex. orelha de pau). Outros tipos de fungo são as micorrizas, que vivem associadas às raízes das árvores auxiliando na absorção de nutrientes. Também misturados ao solo, estão as sementes e plântulas que aguardam uma entrada de luz para iniciarem seu processo de crescimento.

A luminosidade é pouca no interior da mata, por ser filtrada pelo dossel. As plantas dos extratos inferiores normalmente possuem folhas maiores, para aumentar a superfície de captação de luz. A perda de folhas, dirigindo um maior gasto de energia para o crescimento do caule e este, sendo fino e longo, também parece ser uma estratégia para a planta alcançar o dossel e conseqüentemente, mais luz. 

A  interação entre animais e plantas na Mata Atlântica se dá através de um processo de co-evolução. Pode-se observar especializações extremamente singulares, onde apenas uma espécie de inseto tem a capacidade de polinizar uma determinada espécie de planta. Insetos, aves e mamíferos são os principais polinizadores e dispersores de sementes, mas também existe a dispersão pelo vento (eólica) e pela água, como é o caso dos musgos e algumas plantas com sementes capazes de boiar.

A APA (Área de Proteção Ambiental) Itacaré/Serra Grande criada pelo Governo do Estado da Bahia, tem aproximadamente 16 mil hectares, ocupando uma faixa litorânea de aproximadamente 6 Km de largura por 28 km de comprimento. Limita-se ao norte pela foz do Rio de Contas, ao sul pelo Riacho do Sargi e ao leste pelo Oceano Atlântico.

O que é uma APA ?

Área de Proteção Ambiental é uma categoria de unidade de conservação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), assim como os parques nacionais, reservas biológicas, reservas extrativistas e outras, porém, com características próprias.

 Os principais objetivos da APA são:

Ø      proteger paisagens e belezas cênicas

Ø      proteger rios, nascentes e riachos

Ø      incentivar o uso equilibrado dos recursos naturais

Ø      estimular o desenvolvimento regional

Ø      preservar as espécies animais e vegetais

 

No nível governamental, as primeiras leis importantes, foram aprovadas em 1934, regulando a utilização da água, exploração da floresta, caça e pesca. (Por, 1992)

No âmbito mundial em 1968, a UNESCO sugeriu que fosse estabelecida uma rede mundial de proteção para áreas especiais do planeta. Em 1971, foi criado o programa MaB (Man and Biosphere), o Homem e a Biosfera, com o objetivo de conciliar a proteção do ambiente ao desenvolvimento humano. Nesta mesma década, 1977, foi criado o Parque Estadual da Serra do Mar, que justaposto ao Parque da Serra da Bocaina, formou com ele o maior corredor de proteção do bioma Mata Atlântica, até então. (Rocha, 1998)

Entre as organizações não governamentais houve um aumento na sua participação nas últimas décadas, com a atividade de organizações mais antigas como a Fundação Brasileira de Conservação da Natureza (FBCN), mais novas, como a Fundação SOS Mata Atlântica e ONGs internacionais como a WWF e a Conservation International, que atuam na preservação da Mata Atlântica de diversas formas: colaborando na definição de um método e sua aplicação, possibilitando a identificação de prioridades para a proteção da Mata Atlântica, apoiando movimentos contra agressões ao ecossistema e desenvolvendo projetos de educação ambiental.

Muitos já perceberam que a única forma de enfrentar o enorme desafio da civilização de nossos dias é construindo uma nova concepção de desenvolvimento, que não destrua a natureza, que atenda às necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras.

Somente uma ação contínua e conjunta envolvendo os órgãos competentes e a população, é que a Mata Atlântica poderá ser conservada e recuperada. A fiscalização e a aplicação das leis, juntamente com atitudes de todos os cidadãos, como manter a vegetação e corredores de mata em suas propriedades e denunciando qualquer ação danosa ao meio ambiente, poderão ser medidas eficazes para a garantia da qualidade de nossas florestas.

 

Algumas práticas podem ser desenvolvidas de tal forma que causem um mínimo impacto e permitam a utilização da mata, como é o caso do ecoturismo, respeitando os limites naturais das áreas visitadas, os costumes e tradições locais. O manejo sustentável dos recursos florestais, como é o caso do palmito Jussara (em risco de extinção) e da fauna local, projetos de agricultura orgânica, de apicultura, a utilização de energias alternativas (eólica e solar), a criação das Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN), o ICMS ecológico, que destina recursos de impostos de circulação de mercadorias aos municípios que abrigam parques e áreas protegidas, são alguns dos exemplos dos mecanismos de conservação existentes atualmente. Mas ainda existem lacunas a serem preenchidas no campo do desenvolvimento sustentável até que se alcance uma relação equilibrada e sadia entre as atividades econômicas e sociais e a Mata Atlântica.